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Ouro Hub e Uai Labs entram em missão espacial com o Templo Orbital da SpaceX

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O Ouro Hub, ambiente de inovação do IFMG Campus Ouro Branco, e a startup mineira Uai Labs passaram a integrar a operação do Templo Orbital, obra espacial lançada nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, na missão Transporter-18 da SpaceX. A empresa incubada em Ouro Branco, na Região Central de Minas Gerais, é responsável pela estação terrestre oficial que fará a comunicação entre o equipamento em órbita e a Terra.

Na prática, a participação da Uai Labs começa a ganhar centralidade após o lançamento do Falcon 9 a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia. É da estrutura instalada em Ouro Branco que sairão as transmissões de dados enviadas ao Templo Orbital, incluindo os nomes cadastrados por participantes da obra ao longo do período estimado de operação do projeto, de aproximadamente quatro anos.

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O que Uai Labs fará na missão do Templo Orbital

A Uai Labs será a responsável pela estação terrestre oficial da missão. A partir dessa infraestrutura, instalada em Ouro Branco, serão realizadas as comunicações necessárias para manter o Templo Orbital conectado ao solo.

O sistema permitirá transmitir ao equipamento em órbita os dados enviados pelos participantes da plataforma digital do projeto. Quando houver oportunidade adequada de comunicação com o satélite, as informações cadastradas serão encaminhadas por rádio e armazenadas na memória do equipamento.

De acordo com as informações divulgadas sobre o projeto, o procedimento foi concebido para ocorrer de forma automatizada, com confirmação de recebimento das informações transmitidas.

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Templo Orbital une arte, memória e comunicação por satélite

Criado pelo artista e tecnologista brasileiro Edson Pavoni, o Templo Orbital combina tecnologia espacial, memória e diferentes concepções culturais sobre o céu. A proposta parte da pergunta “Quem pode entrar no céu?” e utiliza um equipamento em órbita como parte de uma experiência artística de longa duração.

O projeto tem três componentes principais:

  • o equipamento enviado ao espaço;

  • a infraestrutura terrestre de comunicação;

  • uma plataforma digital para cadastro de nomes.

A participação é gratuita, e a proposta destaca a possibilidade de registrar o nome de alguém que morreu, transformando o satélite em um memorial coletivo em órbita. Os nomes não precisam estar gravados antes do lançamento, porque o envio continuará sendo feito após a entrada do equipamento em funcionamento, por meio da estação operada pela Uai Labs.

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Nas mãos de um artista, um pequeno satélite se transforma em um templo. No espaço, memórias humanas ganham um novo lugar para existir.

Ouro Branco vira ponto de contato com uma missão orbital

A operação em Ouro Branco coloca o município mineiro como elo direto de uma missão espacial internacional. Em vez de apenas acompanhar o lançamento, a cidade passa a sediar parte da infraestrutura necessária para o funcionamento contínuo do Templo Orbital.

Esse fluxo envolve uma cadeia tecnológica que vai do cadastro digital feito por computador ou celular até a transmissão por servidores em solo, sistemas de comunicação, antenas e ondas de rádio, chegando ao equipamento em órbita a centenas de quilômetros da superfície terrestre.

A estrutura operada pela startup mineira terá papel permanente ao longo da vida útil estimada da missão. A cada passagem adequada do equipamento pela área de comunicação, novos dados poderão ser enviados a partir de Ouro Branco.

Ouro Hub conecta inovação do IFMG ao setor espacial

A presença da Uai Labs na missão também projeta o papel do Ouro Hub, ambiente de inovação vinculado ao IFMG Campus Ouro Branco. O espaço foi criado para estimular inovação e empreendedorismo, especialmente fora dos grandes centros, e atua com pré-incubação e incubação de negócios, integração com empresas, atividades de prototipagem e desenvolvimento de novas soluções.

O ambiente colaborativo reúne iniciativas de coworking, experimentação e apoio ao desenvolvimento de produtos e serviços. Entre os objetivos estão impulsionar novas frentes de trabalho no interior e contribuir para a descentralização das atividades de inovação e empreendedorismo.

No caso da Uai Labs, a incubação no Ouro Hub conecta formação acadêmica, desenvolvimento tecnológico e operação espacial real. A empresa atua no desenvolvimento de tecnologias para o setor espacial, incluindo estações terrestres para controle, rastreamento e telemetria de satélites, sistemas espaciais e análise de dados provenientes do espaço.

A startup também trabalha com soluções envolvendo satélites equipados com inteligência artificial e tecnologias voltadas ao processamento e à tomada de decisões em órbita.

Trajetória da Uai Labs no projeto começou antes da formalização da empresa

A ligação da Uai Labs com o Templo Orbital começou antes mesmo da criação formal da startup. João Pedro Polito, cofundador e CEO da empresa, é formado em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Federal de São João del-Rei e desenvolveu parte de sua trajetória acadêmica em tecnologias relacionadas a pequenos satélites e sistemas de comunicação espacial.

Durante a graduação, Polito participou de atividades envolvendo nanosatélites e desenvolveu pesquisa sobre estação terrestre destinada ao rastreamento e monitoramento de pequenos satélites e balões estratosféricos.

No Templo Orbital, sua participação começou em 2022, ao lado de Edson Pavoni, de Pedro Kaled e de outros integrantes da equipe, em etapas como desenvolvimento de hardware, montagem, integração e testes do equipamento. Depois da criação da Uai Labs e da incubação no Ouro Hub, a atuação passou a incluir a responsabilidade empresarial e operacional pela estação terrestre oficial da missão.

Lançamento ocorreu na missão Transporter-18 da SpaceX

O Templo Orbital seguiu ao espaço na missão Transporter-18, lançada pela SpaceX nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, a partir do Complexo de Lançamento Espacial 4E da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia.

A janela de lançamento começou às 11h18 no horário do Pacífico, equivalente a 15h18 no horário de Brasília. A missão transporta 130 cargas, entre CubeSats, microssatélites, cargas hospedadas, veículos com sistemas de reentrada e veículos de transferência orbital.

Para essa missão, o equipamento do Templo Orbital foi integrado pela UARX Space ao veículo OSSIE, que seguiu no lançamento da SpaceX. A Transporter faz parte do programa de lançamentos compartilhados da empresa, voltado ao envio de pequenos equipamentos em um mesmo foguete.

Projeto retorna ao espaço após tentativa interrompida em janeiro

O lançamento desta quinta-feira também marcou uma nova tentativa de colocar o Templo Orbital em órbita. Em 12 de janeiro de 2026, o projeto fazia parte das cargas transportadas pelo foguete indiano PSLV-C62.

Na ocasião, uma anomalia durante o terceiro estágio provocou um desvio de trajetória e impediu que as cargas chegassem às órbitas planejadas. Pouco mais de oito meses depois, o projeto voltou a uma plataforma de lançamento, desta vez em um Falcon 9 da SpaceX.

A retomada reforça a importância das etapas posteriores ao lançamento, como comunicação, acompanhamento da operação e manutenção da infraestrutura terrestre. É justamente nessa fase que a atuação da Uai Labs em Ouro Branco passa a ser decisiva para o funcionamento do Templo Orbital.

IFMG Campus Ouro Branco abriga ecossistema de formação e inovação

A estrutura do Ouro Hub está inserida no IFMG Campus Ouro Branco, que oferece cursos técnicos integrados em Administração, Informática e Metalurgia, além do curso técnico subsequente em Metalurgia.

Na graduação, o campus mantém os cursos de Administração, Engenharia Metalúrgica, Pedagogia e Sistemas de Informação. A instituição também oferece Especialização em Gestão de Negócios e o Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica.

Essa diversidade de áreas dialoga com a proposta do ambiente de inovação, que aproxima estudantes, pesquisadores, empreendedores e empresas em atividades de prototipagem, experimentação e desenvolvimento de projetos. No caso da missão do Templo Orbital, esse ecossistema abriga uma startup que passa a operar uma infraestrutura ligada diretamente a uma missão espacial.

Operação deve se estender por cerca de quatro anos

Se a entrada em operação ocorrer conforme o previsto para o projeto, a estação terrestre instalada em Ouro Branco deverá acompanhar o Templo Orbital ao longo dos próximos anos. Durante esse período, novos nomes poderão continuar sendo cadastrados na plataforma e transmitidos quando houver condições adequadas de comunicação.

A expectativa informada para a vida útil da missão é de aproximadamente quatro anos, com envio contínuo de novos registros a partir da infraestrutura operada pela Uai Labs em Ouro Branco.

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