Enem 2026: quantos erros de português cabem na redação sem perder pontos
Candidatos do Enem 2026 podem cometer uma margem limitada de erros de português na redação sem perder a nota máxima da Competência 1, que avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. As orientações de correção do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) preveem que é possível chegar aos 200 pontos mesmo com até um problema de estrutura sintática e até dois desvios gramaticais.
Essa tolerância ajuda a explicar por que redações com nota mil nem sempre estão 100% livres de falhas. Na prática, a correção distingue tipos diferentes de erro e estabelece pesos específicos para cada grupo, o que muda o impacto de deslizes de ortografia, concordância, regência e construção de frases.
Quantos erros são permitidos na Competência 1
Para manter os 200 pontos na Competência 1, o candidato pode ter:
- até um erro sintático;
- até dois desvios gramaticais.
Se houver mais de um erro sintático, o participante já deixa de alcançar a pontuação máxima nesse critério da redação do Enem.
O que são erros sintáticos na redação do Enem
Os erros sintáticos estão ligados à organização das frases e à construção dos períodos. Entram nessa categoria falhas que comprometem a estrutura do enunciado e a articulação das ideias no texto.
Entre os exemplos de problemas sintáticos considerados na correção estão:
- truncamento, quando a frase fica incompleta ou é interrompida de forma inadequada;
- justaposição, quando orações aparecem lado a lado sem a articulação sintática necessária;
- excesso ou ausência de palavras, com sobra ou falta de elementos que prejudiquem a construção do período;
- duplicação de elementos sintáticos, quando um mesmo elemento é repetido indevidamente na estrutura.
Um exemplo de trecho com esse tipo de falha é: “NO SÉCULO EM QUE VIVEMOS HOJE EM DIA A RELAÇÃO SOBRE A RELAÇÃO DESSAS DIFICULDADES DE HERANÇA HUMANA, A SOCIEDADE BRASILEIRA MUITOS JÁ NÃO SÃO A FAVOR…”. Nesse caso, o problema está na organização das ideias e na construção da frase.

Quais desvios gramaticais entram na correção
Os desvios gramaticais abrangem erros ligados às convenções da escrita e às regras da língua portuguesa. Nessa categoria, a margem de tolerância é de até dois deslizes para preservar os 200 pontos da Competência 1.
Os corretores consideram, entre outros pontos:
- colocação pronominal;
- concordância verbal e nominal;
- regência;
- tempos e modos verbais;
- pontuação;
- acentuação e ortografia;
- inadequação vocabular e uso de expressões incompatíveis com a linguagem formal.
Um dos exemplos citados é a frase “A omissão governamental provém a escassez de campanhas sociais”. Nesse caso, a construção adequada, considerando a regência, seria “provém da escassez”.
Outro exemplo é “Junto a esta ação, terá a participação do Ministro dos Direitos Humanos”. Na linguagem formal, a forma adequada seria “Junto a esta ação, haverá a participação do ministro dos Direitos Humanos”.
Repetir o mesmo erro aumenta o desconto?
Na correção da redação do Enem, repetir a mesma palavra escrita incorretamente em diferentes momentos não significa acumular descontos sucessivos pelo mesmo problema. Se o candidato escrever a mesma palavra errada mais de uma vez ao longo do texto, o desvio será contabilizado uma única vez.
Isso vale, por exemplo, para a repetição de uma mesma grafia incorreta. Já no caso de problemas de estrutura sintática, cada falha é contada separadamente. Se o estudante construir várias frases com erros sintáticos, cada uma delas entra na avaliação de forma individual.
Nomes próprios difíceis tiram pontos?
Erros na grafia de nomes próprios de escrita difícil não levam a desconto na nota. Isso significa que, se o participante escrever incorretamente nomes como Rousseau ou Nietzsche, não perderá pontos por esse motivo na Competência 1.
A regra vale para citações de repertório cultural usadas na argumentação da redação, desde que o restante do texto mantenha a adequação exigida pela avaliação.
Citações com palavras trocadas também não são punidas
Se o candidato citar entre aspas um trecho de música ou de livro e trocar uma palavra da versão original, essa alteração não será considerada desvio gramatical. Um exemplo é substituir “O essencial é invisível aos olhos” por “O importante é invisível aos olhos”, desde que o sentido continue o mesmo.
Essa orientação integra as particularidades da correção e mostra que a banca distingue erro de língua portuguesa de pequenas alterações em citações utilizadas no texto.
Revisão continua sendo decisiva
Mesmo com a margem de tolerância prevista na correção da redação do Enem, a revisão do texto continua sendo uma etapa importante para o candidato. Quanto maior o número de falhas, maior o risco de perda de pontos na Competência 1.
A orientação é reservar alguns minutos antes de passar a redação a limpo para reler o texto com atenção, observando a construção das frases, a concordância, a regência e a pontuação.