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Enem 2028 pode trocar redação única por produções em Linguagens, Humanas e mais

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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) estuda mudar a Redação do Enem a partir de 2028, com a substituição do atual texto dissertativo-argumentativo único por produções escritas ligadas às quatro áreas do conhecimento cobradas no exame. A proposta ainda está em análise e depende de discussões técnicas com especialistas e com o Ministério da Educação (MEC), com expectativa de definição até o fim de 2026.

No modelo preliminar, o participante escreveria 20 linhas em Linguagens, além de dez linhas para Ciências Humanas, dez para Ciências da Natureza e outras dez para Matemática. Se adotada, a mudança elevaria a produção escrita de 30 para 50 linhas no total, distribuídas entre diferentes campos do conhecimento.

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Para os candidatos do exame deste ano, o formato segue sem alteração. O Enem 2026 mantém uma única redação dissertativo-argumentativa de até 30 linhas, e a estrutura e a nota foram mantidas na cartilha atualizada pelo Inep, que ampliou orientações sobre autoria, repertório e proposta de intervenção.

Como pode funcionar a nova Redação do Enem

A proposta em estudo prevê que a produção textual deixe de se concentrar em um único tema geral. Em vez disso, o exame passaria a cobrar escritas separadas por área, com foco em diferentes formas de interpretação, argumentação, raciocínio e mobilização de conhecimentos desenvolvidos no ensino médio.

Pela divisão apresentada até agora, a distribuição seria a seguinte:

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  • Linguagens, Códigos e suas Tecnologias: 20 linhas
  • Ciências Humanas: 10 linhas
  • Ciências da Natureza: 10 linhas
  • Matemática: 10 linhas

O total chegaria a 50 linhas de produção escrita. Ainda não há definição sobre os tipos de texto que seriam exigidos, os critérios específicos de correção nem a forma de apresentação dessas tarefas nos cadernos de prova.

Também não foi estabelecido se cada área teria tema próprio, situação-problema específica ou comandos relacionados às questões objetivas. Por isso, a proposta segue como um modelo em elaboração, sem decisão final sobre implementação.

Por que o Inep discute a mudança

A reformulação é analisada dentro de um debate mais amplo sobre a função do Enem. Além de seguir como porta de entrada para o ensino superior, o exame também deverá contribuir para avaliar a aprendizagem ao fim da educação básica, em articulação com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

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Com produções escritas distribuídas por área, a avaliação poderia observar não apenas o domínio da dissertação argumentativa, mas também a capacidade do estudante de organizar ideias e elaborar respostas em contextos variados. A proposta é alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Política Nacional do Ensino Médio.

Na prática, o exame passaria a coletar informações mais detalhadas sobre o desempenho dos participantes em Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Esse desenho permitiria avaliar como o estudante mobiliza conhecimentos de diferentes disciplinas em situações de escrita.

Enem (Imagem: IA)
Enem (Imagem: IA)

Modelos prontos de redação estão no centro da discussão

Outro ponto relacionado à possível mudança é o uso crescente de modelos prontos de redação entre candidatos. Estruturas decoradas, citações genéricas e repertórios aplicados de forma ampla a quase qualquer tema se tornaram frequentes, especialmente com a difusão de fórmulas em cursos preparatórios e redes sociais.

O Inep já alertou que referências memorizadas precisam ter relação efetiva com o tema e ser usadas de maneira produtiva na argumentação. Quando o chamado repertório de bolso aparece de modo artificial ou desconectado da discussão proposta, ele pode prejudicar a avaliação do texto.

Ao dividir a escrita entre quatro áreas, o modelo em estudo tende a exigir respostas mais específicas, com compreensão de comandos distintos e aplicação de habilidades variadas. Isso poderia reduzir a eficácia de textos previamente estruturados para qualquer tema.

O que continua valendo para o Enem 2026

Para quem fará a prova em 2026, a orientação prática permanece a mesma: a preparação deve seguir focada na redação tradicional do exame, com estudo das cinco competências avaliadas, construção de argumentos, repertório sociocultural pertinente e proposta de intervenção compatível com os direitos humanos.

As provas do Enem 2026 serão aplicadas em 8 e 15 de novembro, dentro do formato atual. Assim, não há mudança imediata para os candidatos desta edição.

O modelo em debate para 2028 ainda precisa passar por análises institucionais e por uma decisão do Inep e do MEC. Entre os pontos sem definição estão a pontuação, as competências específicas, a duração da prova, a divisão entre os dias de aplicação e o peso dessas produções no cálculo da nota.

Enem seguirá como via de acesso ao ensino superior

Mesmo com eventual reformulação da Redação do Enem, o exame continuará sendo usado como uma das principais formas de ingresso no ensino superior. As notas seguem empregadas em processos seletivos como Sisu, Prouni e Fies.

A proposta em estudo não elimina esse papel do exame. A mudança busca ampliar também sua função diagnóstica sobre a educação básica, com dados que possam apoiar o acompanhamento da aprendizagem e orientar políticas públicas para o ensino médio.

No cenário atual, a expectativa do Inep é definir até o fim de 2026 se a proposta de substituir a redação única por produções em quatro áreas será adotada no Enem 2028.

Demais informações podem ser conferidas no site do INEP.
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